quarta-feira, 8 de junho de 2011

Processos Conativos

Conação é um termo usado para referir a capacidade de aplicação de energia intelectual a uma tarefa, da forma necessária e ao longo do tempo, para que uma solução seja alcançada, para que a tarefa seja completada. É um conjunto de processos que se ligam À execução de uma acção ou comportamento, que movem o ser humano num dado sentido.

No fundo, conação é a motivação, o empenho, a vontade e o desejo que move os indivíduos em direcção a um fim ou objectivo que, ao dar sentido à sua acção, faz com que esta tenha significado para ele.

Caracterizar os processos conativos: tendência e intencionalidade.

A intencionalidade de um pensamento, emoção, percepção, etc. existe quando esse mesmo pensamento, emoção ou percepção é acerca de algo. Isto é, dizer que um estado mental tem intencionalidade significa que ele é acerca de alguma coisa. Por exemplo, quando pensamos, pensamos acerca de alguma coisa, logo o pensamento é intencional; quando sentimos, sentimos em relação a alguma coisa, logo o sentimento é intencional.

A tendência é o impulso espontâneo que orienta a conduta do indivíduo, vai do sujeito para o objecto, responde a uma necessidade interna e leva-nos a concretizar os nossos próprios objectivos. É omnipresente, persistente e inacabada. Face a uma necessidade, um desequilíbrio, há um impulso ou tendência que nos leva a querer satisfazê-la rápida e eficazmente. Depois da resposta dada, encontramo-nos saciados e, por isso, reequilibrados.

tendências são a força e a energia motivacional e podem ser primárias ou secundárias: as primárias acontecem desde sempre e são independentes da aprendizagem (ter fome, sede, frio), enquanto as secundárias são aprendidas nos processos de socialização e correspondem a necessidades sociais (tendência para as línguas ou para o desporto, ou para as ciências). Quanto ao objecto, as tendências podem ser individuais quando se relacionam com os interesses pessoais do indivíduo, sociais quando estão na base de interacções sociais e têm a ver com as relações com os outros e ideais se se relacionarem com a promoção de valores intelectuais, estéticos ou éticos.


Esclarecer o conceito de esforço de realização.

O conceito de esforço de realização relaciona-se com o empenho para concretizarmos os nossos desejos e objectivos. Está intimamente ligado aos processos conativos, ao modo como os nossos desejos e propósitos se transformam em acções. Primeiro, satisfazemos as necessidades básicas fisiológicas e de segurança, depois as psicossociais de afiliação e estima e só por fim as de auto-realização pessoal.

Ricardo Pereira

Inconformismo

As sociedades em geral, e os grupos sociais que constituem as mesmas, procuram manter a sua coesão através do respeito pelas normas e pelas regras vigentes. As normas são, portanto, o instrumento de controlo social e, por isso, podemos dizer que conformismo é inerente à manutenção dos grupos sociais. O desvio à norma, a desobediência às regras, é objecto da censura social, que se manifesta através de críticas e sanções.
Contudo, a história da Humanidade testemunha que a mudança a todos os níveis foi provocada por concepções, atitudes e comportamentos que desobedecem ao que socialmente estava designado como sendo correcto e desejável. Podemos pensar nas grandes revoluções científicas levadas a cabo por Copérnico, Darwin e Freud para comprovarmos que foi o incorformismo deles que remodelou o modo como os seres humanos se concebem.
Podemos, então, definir incorformismo como sendo a adopção de concepções, atitudes e comportamentos que não respondem às expectativas do grupo. Sendo assim, as pessoas em que a pertença ao grupo constitui uma parte relevante do seu autoconceito apresentam mais probabilidades de se conformarem devido à influência normativa; caso a pertença ao grupo não tiver essa relevância, é menos provável renderem-se às normas do grupo.
As pessoas que adoptam atitudes inconformistas são, frequentemente, objecto de crítica social, que pode ir desde o menosprezo à sanção e, até mesmo, à marginalização. O desvio, a discordância, são encarados como desagregadores da ordem social e são tão mais criticados e reprimidos quanto mais importante for, para o grupo social, a norma quebrada.
Assumidos por minorias, os comportamentos inconformistas, geradores de inovação, acabam muitas vezes por serem integrados pelo sistema social. A mudança social encontra neste processo a sua origem. Por isso, para que a minoria influencie a maioria, as suas posições têm de ser claras, consistentes e firmes para resistirem às pressões para o conformismo.

Ângelo Ferreira
Processos emocionais

Emoções:

• Experiencias especificas ,não habituais e que não exprimem um ciclo.
• Apresentam a bipolaridade, prazer/desprazer.
• Advém de interpretação de factos como a relação entre pessoas, objectos ou ideias.
• Está associada à questão (Como ?).
• Variam de intensidade, tem uma duração breve e são voltados para o exterior.
• Retratam e movem todas as nossas crenças e movimentos.
• Levam a alterações fisiológicas.

Tipos de emoções:

• Primárias- Universais – Ex.: Alegria, tristeza e medo.
• Secundárias- Sociais – Ex.: Vergonha, ciúme, culpa e orgulho.
• Fundo- Ex.: Bem estar, mal estar, calma e tensão.


Sentimentos:

• Tomar consciência das emoções corporais.
• As emoções são transferidas para zonas do cérebro onde são tratadas e armazenadas e assim temos consciência delas.
• Prolongam-se no tempo (duração longa).
• Dirigem-se para o nosso interior (são privadas, só por nos acessíveis).
• Tem menor intensidade do que as emoções.
• Exemplos: ansiedade, preocupações.


Componentes das emoções:

• Componente cognitiva → Ocorre quando tomamos conhecimento do facto: se não houver conhecimento deste, não se experimenta qualquer emoção;

• Componente avaliativa → Fazemos uma avaliação, agradável ou desagradável, da situação;

• Componente fisiológica → Manifestações orgânicas, corporais face à emoção;

• Componente expressiva → Expressões corporais que permitem mostrar ao outro as nossas emoções;

• Componente comportamental → Comportamento que o sujeito poderá ter face ao outro, é o estado emocional que desencadeia determinado conjunto de comportamentos;

• Componente subjectiva → Relaciona-se com o que o indivíduo sente a nível emocional e interior a que só ele tem acesso, ou seja, é o estado afectivo associado à emoção.

Perspectivas/teorias das emoções:

Perspectiva Evolutiva:

Segundo Charles Darwin:

Darwin procurou traços comuns na expressão de emoções em vários povos, e identificou seis emoções primárias ou universais: a alegria, a tristeza, a surpresa, a cólera, o desgosto e o medo;

Considerou que as emoções têm um papel adaptativo fundamental na história da espécie humana, sendo determinante para a sua capacidade de sobrevivência.

Segundo Ekman:

Defendia que povos diferentes teriam emoções diferentes;

Confirmou a tese de Darwin: há emoções que são universais, independentes do processo de aprendizagem e da cultura em que se manifesta;

Não nega a influência da cultura nas emoções, na medida em que há regras que controlam a sua expressão. Porem, existe um património comum ao nível das emoções e da sua expressão.

Perspectiva Fisiológica:

Defendida por Willians James, que considerava que as emoções resultariam da consciência das mudanças orgânicas provocadas por determinados estímulos;

As emoções resultam das percepções do estado do corpo, das mudanças orgânicas provocadas por estímulos.

O estado de consciência de emoções como a cólera, a alegria, a raiva, resume-se à consciência de manifestações fisiológicas.

Perspectiva Cognitivista:

Afirmam que os processos cognitivos, como as percepções, recordações e aprendizagens, são fundamentais para se perceberem as emoções;

A forma como representamos uma dada situação, como a avaliamos é que desencadeia ou não determinada emoção;

Perspectiva Culturalista:

As emoções são processos aprendidos no processo de socialização;

Consideram que as emoções são uma construção social, que tem que ser aprendidas;

As diferentes sociedades e culturas definem o tipo de emoções que se podem manifestar e como as manifestar;

A sua forma de expressão varia de cultura para cultura, dependendo assim do espaço e do tempo;

Nega a existência de emoções universais: à diversidade cultural corresponde uma diversidade de emoções e das respectivas expressões.

Relação entre razão e emoção, segundo António Damásio:

As emoções e os sentimentos não são um obstáculo ao funcionamento da razão; estão envolvidos nos processos de decisão, segundo a perspectiva de António Damásio;

Se fosse apenas a razão a participar nos processos de decisão, seria muito complicado tomar uma decisão;

Segundo o próprio autor, “a emoção bem dirigida parece ser o sistema de apoio sem o qual o edifício da razão não pode funcionar eficazmente”;

A tomada de decisão é suportada por duas vias complementares:

  • Representação das consequências de uma opção disponibilizada pelo raciocínio: avaliação da situação, levantamento das opções possíveis, comparações lógicas, etc.;

  • A percepção da situação provoca a activação de experiências emocionais experimentadas anteriormente em situações semelhantes

Damásio remete para o conceito de Marcador somático:

- Mecanismo automático que suporta as nossas decisões;
- Permite-nos decidir eficientemente num curto intervalo de tempo;
- Os marcadores somáticos aumentam provavelmente a precisão e a eficiência do processo de decisão.


João Cardoso

Psicologia Aplicada

A Psicologia Aplicada é um ramo da Psicologia com objectivos específicos que faz uso de todas as descobertas e princípios científicos conseguidos pela Psicologia.
Para além do desenvolvimento teórico e científico da Psicologia, proporcionado pelas mais diversas áreas científicas, era fundamental um outro processo – a sua aplicação. Assim, nasceu a Psicologia Aplicada, com a necessidade de passar da parte teórica para a parte prática.
Por exemplo, o caso em que a Psicologia Aplicada investiga as diferenças de inteligência em crianças e elabora, com resultados obtidos, os melhores métodos de diagnóstico da inteligência. Posteriormente, o psicólogo clínico e/ou psicólogo escolar podem administrar a melhor terapia ou orientação escolar a adoptar.
Os fundamentos teóricos da Psicologia estão na base da Psicologia Aplicada que serve de apoio para o trabalho do Psicólogo, apesar de este também poder desenvolver o seu próprio sistema de investigação e, em geral, de funcionamento. Por sua vez, o enriquecimento e o aumento de todo o conhecimento teórico das duas ciências mencionadas, deve-se a todas as descobertas e aprendizagens efectuadas no campo prático. Ou seja, pode-se dizer que a Psicologia Aplicada e a Geral complementam-se.
Na fase inicial, ficou a dever o seu desenvolvimento à Psicometria. Esta ciência especializada nos testes e, em geral, nas medições mentais, teve origem quando o psicólogo Alemão William Stern (1871-1938) descobriu que a inteligência podia ser medida (conceito métrico de inteligência, 1912).
A Psicometria, então, tornou-se no ramo mais abrangente da Psicologia Aplicada porque é utilizada em todos os ramos da Psicologia.
O campo da intervenção da Psicologia Aplicada é imenso, desde a área da saúde à educação, passando pela informática e pelo desporto. Pode-se dizer que todos os ramos que derivam da Psicologia têm por detrás uma “mãozinha” da Psicologia Aplicada. Temos o exemplo da Psicologia Judiciária ou Forense que consiste na aplicação dos conhecimentos psicológicos aos propósitos do direito; ou da psicologia do trabalho que tem como finalidade a adaptação da pessoa à sua profissão e a adequação das profissões á pessoa; ou ainda, a psicologia aplicada à publicidade que faz uso dos seus conhecimentos para, por exemplo, obter estímulos publicitários adequados a despertar comportamentos aquisitivos.

Carla Ribeiro

Porque sentimo-nos atraidos?

A atracção interpessoal é a preferência por determinado tipo de pessoas, fortemente ligado a diversos factores entre as cognições e os afectos.


Factores como a proximidade geográfica, as similaridades interpessoais, a complementaridade das personalidades, a reciprocidade, e também o respeito, a estima, a admiração explicam o que nos leva a preferir certas pessoas e outras não.

Um desses factores é a beleza. A beleza exterior desempenha um papel muito importante no comportamento a ter com o outro, mesmo que tal, teoricamente, não aconteça. Afinal de contas, o que interessa é o interior. Claro que isto está errado.
Um dos motivos mais evidentes para isto é o facto de a beleza causar uma melhor impressão inicial e consequentemente um aumento da auto-estima, pois a companhia de uma pessoa fisicamente atraente favorece a posição social do indivíduo.

É óbvio que formamos relações mais pessoais com colegas de turma com os quais já andamos à 12 anos do que com as pessoas que vemos nos cafés aos fim-de-semana, pois estamos mais familiarizados com essas pessoas. Sendo assim, vemos que a familiaridade é outro factor que afecta a atracção.

As pessoas gostam de sentir as suas ideias e escolhas valorizadas e validadas. Assim, é comum a preferência por pessoas com as quais partilhamos as nossas ideias (semelhanças interpessoais) e também gostamos de nos sentir apreciados (reciprocidade).

No entanto, não são apenas as diferenças que nos atraem. Numa primeira fase, talvez, mas à medida que conhecemos as pessoas, temos uma tendência para gostar mais das pessoas que nos complementam, isto é, que têm características que não possuímos, a complementaridade.

É na junção de todos estes factores que o nosso comportamento para com os outros se regula e as preferências se formam.

José Pedro Nunes

Simdrome de Down e os processos de aprendizagem

O preconceito em relação à Síndrome de Down( trissomia 21) fez com que as crianças, portadoras desta anomalia genética, não tivessem nenhuma hipótese de se desenvolverem cognitivamente, muito por culpa dos pais e professores que não acreditavam na possibilidade desta crianças realizarem o processo de aprendizagem, eram rotuladas como pessoas doentes e, portanto, excluídas do convívio sócia, e por consequente dos processos de socialização e aprendizagem. Até um certo ponto, estes pais e professores tinham alguma razão pois crianças Síndrome de Down apresentam dificuldades em decompor tarefas, juntar habilidades e ideias, reter e transferir o que sabem, capacidade de adaptação a situações novas. Tais factos são grandes impedimentos ao processo de aprendizagem, mas não é por eles que vamos excluir estas pessoas, todos os factores da aprendizagem devem ser modificados e aplicados a estas pessoas de forma os processos cognitivos se desenvolvam e, portanto todo aprendizado deve sempre ser estimulado a partir do concreto necessitando de instruções visuais para consolidar o conhecimento. Para incentivar a aprendizagem deve-se se usar brinquedos e jogos educativos, tornando a aprendizagem actividade prazerosa e interessante. No processo de aprendizagem a criança com Síndrome de Down deve ser reconhecida como ela é, e não como gostaríamos que fosse. As diferenças devem ser vistas como ponto de partida para desenvolver estratégias e processos cognitivos adequados.


Sara  Mendes

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A Experiência da Vela e o Papel das Motivações



Há um desencontro brutal entre aquilo que a ciência sabe e aquilo que é aplicado nas situações problemáticas de cariz mais complexo do dia-a-dia. Afinal, qual o papel das motivações no ser humano?
Em 1945, Karl Dunker, psicólogo, idealizou uma experiência bastante simples: era cedida uma vela, alguns pregos, uma caixa e fósforos a alguns indivíduos a quem era pedido que pregassem a vela na parede de modo a que a cera não caísse na mesa. 



Alguns indivíduos procuraram pregar directamente a vela na parede, outros optaram por tentar derreter uma extremidade da vela de modo a fazê-la aderir à parede (ambas as alternativas infrutíferas), sendo que só ao fim de algum tempo conseguiram efectivamente solucionar o problema, pregando a caixa dos pregos à parede e colocando a vela no seu interior.


O derradeiro desafio da experiência consiste em ultrapassar a chamada funcionalidade fixa, que neste caso consiste no facto da população em análise ver a caixa de pregos somente com a funcionalidade de armazenamento (de pregos), descurando eventuais possíveis funções do objecto.
Posteriormente, um proeminente cientista denominado Sam Glucksberg operou algumas alterações no protocolo experimental de Dunker para avaliar o papel das motivações na execução de tarefas. Glucksberg informou a população em estudo (dividida em 2 grupos) que iria cronometrar o tempo dispendido para solucionar o problema, advertindo um grupo que a cronometragem serviria exclusivamente para averiguar médias (de tempo), enquanto outro grupo foi informado que a regulação do tempo serviria para atribuir recompensas aos indivíduos que mais rapidamente encontrassem uma solução.
A experiência de Glucksberg demonstrou que os grupos motivados por recompensas demoravam em média mais 3,5 minutos que os demais.
Numa segunda variante do seu problema, Glucksberg apresentou a situação de um modo distinto: colocou os pregos fora da caixa. Desta monta feita, foi o grupo incentivado que obteve as melhores médias de tempo. Resta saber porquê. Em todo o caso a resposta é simples: os pregos estão fora da caixa!



Depreende-se então facilmente pela experiência de Glucksberg que as recompensas estreitam a nossa capacidade para resolver situações novas e imprevistas, em que existe uma apelo à imaginação e criatividade. Por outro lado, em tarefas centradas em objectivos simples, claramente definidos e onde há um conjunto de regras definidas para obter o desejado fim, as recompensas funcionam indubitavelmente como promotoras do bom trabalho.
Depreende-se então que motivações extrínsecas, em situações problemáticas novas, restringem as nossas possibilidades. Não obstante, em tarefas que exijam apenas habilidades mecânicas, as recompensas funcionam conforme o esperado: quanto maior a recompensa, maior a performance.
Em suma, conclui-se que é necessário reavaliar o nosso modelo económico e desvendar o nefasto papel das motivações extrínsecas. A derradeira produtividade só surge mediante o apelo de motivações intrínsecas centradas na autonomia (vontade de cada indivíduo em orientar a sua vida); domínio (desejo de melhorar constantemente algo que fazemos, gostámos e é importante) e propósito (desejo de fazer o que fazemos, servindo “algo maior que nós próprios”).
Mário